Sexo na gravidez e no pós-parto: tudo o que precisa saber

By 15 de outubro de 2017Saúde
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Na gravidez parece que o sexo vira tabu até para quem é bem resolvido com o assunto. Mesmo se a vontade de transar é enorme, vem o medo de prejudicar o bebê. Isso sem contar com os hormônios femininos e a libido da gestante – que estão iguais a uma montanha-russa. É por estas e outras que os nove meses e o pós-parto podem até virar um período de abstinência sexual.
O quê? Como? Calma! A vida sexual não precisa sofrer graves consequências durante a gravidez. Alguns pesquisadores defendem que transar nesse período faz bem porque ajuda a controlar a ansiedade, melhora a autoestima e diminui a pressão arterial – quando ela está elevada, a gestante pode correr o risco de ter pré-eclâmpsia.
 
E, pode ficar tranquilo, pois, segundo a professora do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos e obstetra Carla Andreucci Polido, o sexo e o orgasmo não são culpados por abortos ou partos prematuros. “A gestante só deve evitar a atividade sexual quando houver sangramentos no primeiro trimestre e trabalho de parto prematuro, porque o orgasmo pode exacerbar contrações que já estejam acontecendo em casos como esses”, explica.
 
 
FALTA DE VONTADE
Uma pesquisa canadense feita com 1.049 gestantes mostrou que 56% delas sentiram uma diminuição no desejo sexual. Isso pode acontecer devido às flutuações hormonais. “No primeiro trimestre existe uma diminuição da libido durante a fase da implantação do embrião no útero. No segundo e no terceiro trimestre, ela normaliza, mas o apetite sexual é algo muito individual, que depende de diversos fatores, não só dos hormônios”, explica Carla.
 
 
 
Para a psicóloga Maria Tereza Maldonado, autora dos livros Nós Estamos Grávidos (Ed. Integrale) e Psicologia da Gravidez (Ed. Jaguatirica), é comum alguns homens sentirem menos desejo pela grávida porque passam a enxergar a mulher como mãe, alguém sem sexualidade, ou porque ficam com medo de prejudicar o filho. O marido da estudante Nickolly Vieira, 21 anos, mãe de Luís Otávio, 3, e Lívia, 1, dizia que não queria transar porque tinha medo de machucar o bebê o que, segundo o obstetra Bráulio Zorzella (SP), é anatomicamente impossível. “O pênis vai apenas até o fundo da vagina e não até o útero”, garante.
 
O bom é que tem homens que adoram a nova silhueta, com seios fartos, quadril mais largo e glúteo maior. O marido de Mônica Duarte*, 42, mãe de Sabrina 11, Luana, 6, e Ana, 1, é um deles. Por isso, a vida sexual do casal durante as três gestações sempre foi muito bem, obrigada! O marido da técnica em segurança no trabalho Lígia Ferreira, 34, mãe de Ana Laura, 2, também adorou. “Eu me sentia horrorosa. Mas ele não. Queria transar todos os dias. Nunca fiz tanto sexo”, diz. Segundo Maria Tereza, a autoimagem da mulher sofre muita influência de padrões culturais. “Casais que ignoram esses padrões da magreza impostos pela sociedade e que não fazem distinção entre maternidade e sexualidade são mais felizes na cama”, afirma.
 
NOVAS DESCOBERTAS
É claro que é preciso fazer alguns ajustes, pois algumas posições sexuais ficam, literalmente, impraticáveis. “No último mês eu não conseguia mais ficar por cima dele, e começamos a fazer sexo de pé ou de quatro apoios”, conta Lígia. Laura Muller lembra que existem várias formas de sentir prazer. “Se alguma posição ou mesmo a penetração estiverem incomodando, o casal pode partir para o sexo oral e a masturbação”, lembra. Aliás, esses artifícios são muito bem-vindos nos momentos em que não se pode ter penetração, como na famosa quarentena.
 
Após o nascimento do bebê, a mulher deve ficar 40 dias sem relação sexual. Vale tanto para parto normal como cesárea. Antes disso, o sexo é desaconselhado porque o corpo ainda não se recuperou, o útero está voltando ao seu tamanho normal e há risco de infecção, já que o processo de cicatrização pós-parto ainda não está finalizado. Sem contar que a produção do hormônio prolactina, que favorece a produção do leite, diminui a libido e a lubrificação vaginal.
 
O ginecologista da professora universitária Ruth Carvalho*, 28, mãe de Julia, 3 meses, pediu abstinência sexual por seis semanas. No começo, ela achou que seria bem difícil seguir a orientação médica. “Mas o pós-operatório foi tão desagradável que era impossível transar. Eu nem sentia vontade”, lembra. Ela e o marido só conseguiram ter um tempo para curtir a vida de casal porque se organizaram. “Eu me preocupei muito com o pós-parto. Dividi as tarefas do bebê com meu esposo, tive ajuda em casa e restringi visitas”, diz.
 
TEMPO PARA TRANSAR
Aliás, administrar as visitas no puerpério para achar um espaço na rotina para o sexo é uma boa ideia. Joana Machado, 30 anos, mãe de João, 5, que o diga. “Toda vez que decidíamos transar, era um sufoco. Era o leite vazando, o bebê chorando, o telefone e a campainha tocando”, lembra. Isso sem contar com os avós. “Vinte dias depois do nascimento do meu filho caçula, estávamos loucos para voltar à nossa rotina sexual. Mas minha mãe ‘mudou’ para a casa porque queria ajudar nos primeiros cuidados com o bebê. Parecia que ela estava em todos os cômodos”, brinca Paula Lima. Tal qual dois adolescentes, eles tiveram que se trancar no banheiro para transar. Além de achar um tempo na agenda e local apropriado, sem os olhares alheios, ainda tiveram os incômodos do sexo no pós-parto. “Senti tanta dor que quase desisti”, conta.
 
 
Mônica Duarte também conta que sentiu dor quando retomou a vida sexual depois das três gestações, mas começou a ter orgasmos múltiplos e mais intensos após o parto natural da caçula. Para Zorzella, esse tipo de parto dá à mulher um maior domínio e uma percepção do seu próprio corpo e de suas possibilidades de prazer”, explica. Portanto, não perca a oportunidade de fazer sexo durante a gravidez nem no puerpério depois, é claro, de conversar com seu médico.
 
5 atitudes pró-sexo
Veja as dicas da psicóloga Maria Tereza para não deixar que a gravidez e a rotina do pós-parto atrapalhem sua vida sexual:
 
1. Lembrem-se de que vocês são marido e mulher, não “pai” e “mãe”.
2. Compartilhem todos os cuidados com o bebê. O filho é dos dois.
3. Contem com ajuda externa, principalmente do restante da família. Uma rede de apoio é importante.
4. Construam momentos de intimidade a dois. Passem mais tempo juntos. Falem de sexo.
5. Ampliem a exploração da sensualidade e do erotismo. Façam massagens um no outro, troquem beijos, abraços e carícias.
 
Por Texto Renata Menezes

Author MegaGestante e Bebe

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